O que 10 especialistas disseram ao vivo na FEIMEC — e o que isso revela sobre o futuro da indústria brasileira
POV DA INDÚSTRIA INTELIGENTE · EDIÇÃO #23 · MAIO 2026
TECC Talks · FEIMEC 2026 · Estande F018 · São Paulo Expo
Senhoras e senhores, bem-vindos à 23ª Edição do POV da Indústria Inteligente 🤓
Antes de começarmos, uma reflexão:
“Quando você coloca dez especialistas numa mesma pergunta e todos chegam na mesma resposta — isso não é opinião. É diagnóstico.”
Agora que você teve tempo para pensar, bora para a edição de hoje?
Entre os dias 5 e 10 de maio de 2026, a TECC esteve presente na FEIMEC 2026, no São Paulo Expo. No estande F018, além de demonstrar as soluções do portfólio, recebemos dez especialistas para o TECC Talks — conversas ao vivo, sem roteiro, com uma pergunta fixa para cada um:
O que as indústrias brasileiras precisam fazer para ser mais inteligentes, lucrativas e competitivas?
Cada um veio de um ponto diferente da cadeia produtiva — automação, software, máquina, fluido, integração, treinamento, simulação, fixação, manufatura aditiva e educação técnica. E todos convergiram no mesmo diagnóstico. Este POV reúne o que eles disseram.
NESTA EDIÇÃO
- Mauricio Portella Jr. (MSB Technology / Lang TechniK): automação flexível sem robô — a máquina que não para
- Doug Nemet (Mastercam): a nova plataforma Everpath e feedback instantâneo no CAM
- Neiton Eduardo (Mekanodrill): nicho antes de máquina, foco antes de portfólio
- Marcelo Kuroda (Blaser): R$ 51 milhões em benefícios que as fábricas deixaram na mesa
- Fernando Jank (SigmaNest): automação, integração e o fim dos processos manuais
- Fábio Ricardo (Therion): 5 eixos sem medo — não tem mistério, tem jornada
- Ângelo (VeriCut): a diferença entre simulação do CAM e simulação do código G
- Charles Silva (RegoFix): o elo que ninguém fala — a fixação de ferramentas
- Luan Saldanha (Aditiva Brasil): manufatura aditiva e usinagem — coexistência, não concorrência
- Rodrigo Bardalho (SENAI): os três pilares que separam fábricas produtivas das demais
AS CONVERSAS
Mauricio Portella Jr. — MSB Technology / Lang TechniK
Automação flexível sem robô — a máquina que não para
Mauricio abriu o TECC Talks com um ponto que raramente aparece no centro da discussão de produtividade: o tempo que a máquina fica parada entre turnos, entre peças, entre setups. Diretor comercial da MSB Technology e responsável pela Lang TechniK no Brasil, ele trabalha exatamente nesse intervalo.
O argumento central: automação não precisa começar com robô. O sistema Haubex, da Lang TechniK, transforma o magazine de ferramentas do próprio CNC numa célula de automação flexível — a peça é trocada automaticamente, sem operador parado na frente da máquina, sem investimento em robótica pesada.
O sistema foi projetado para manter sua máquina CNC usinando por períodos mais longos — sem a necessidade de ter um operador em pé na frente dela o tempo todo.
Uma entrada acessível na automação para oficinas de pequenos e médios lotes — que é exatamente o perfil dominante do mercado brasileiro.
Doug Nemet — Mastercam (EUA)
O fim da iteração cega no CAM
Há dois anos, a Mastercam tomou uma decisão que a maioria das empresas de software evita: parar de depender de tecnologia de terceiros para a criação de toolpaths avançados e desenvolver a própria plataforma.
O resultado se chama Everpath.
Com a plataforma anterior, qualquer mudança de parâmetro exigia regenerar o toolpath do zero — esperar o cálculo, analisar, ajustar, regenerar de novo. Com o Everpath, o feedback é instantâneo. O programador edita e vê em tempo real, sem interromper o raciocínio.
Para quem gerencia um parque de máquinas diversificado, o Mastercam como plataforma única — fresadora vertical, 5 eixos, torno, suíça, mill-turn, EDM a fio — significa menos curva de aprendizado e mais consistência nos processos.
Neiton Eduardo — Mekanodrill
Nicho antes de máquina. Foco antes de portfólio.
A Mekanodrill nasceu com uma missão específica: levar máquinas CNC para quem não tinha acesso às importadas. Começaram com máquinas pequenas para clientes pequenos. Cresceram junto com eles. Hoje oferecem toda a linha — tornos CNC, centros de usinagem — com suporte técnico e peças de reposição no Brasil.
“O cliente é obrigado hoje a se atualizar. A mão de obra está muito escassa. O que precisa? Máquinas mais modernas e um CAM atual.”
Define bem o nicho de mercado. Tudo que é muito amplo, complica. Foca.
Marcelo Kuroda — Blaser Swisslube
R$ 51 milhões deixados na mesa — e quem decide o fluido de usinagem
Desde 2008, a Blaser fez 1.125 relatórios técnicos em clientes no Brasil e identificou mais de R$ 51 milhões em benefícios potenciais — em produtividade, vida de ferramenta, consumo e manutenção — que as fábricas não estavam aproveitando.
O motivo: fluido de usinagem é tratado como commodity. Gerenciado pela manutenção, não pela engenharia de processos.
Se o meu fornecedor atual me desse o óleo de graça, ia ficar caro. Porque o que eu ganhei com vocês foi muito além disso.
A Blaser pode custar 3 a 4 vezes mais que concorrentes. Mas clientes que calculam o custo da peça — não o custo do litro — chegam a uma conclusão diferente.
Fernando Jank — SigmaNest / Sigmatec (América Latina)
Do pedido à ordem de serviço: o custo invisível dos processos manuais
A indústria brasileira ainda tem muito desperdício em processos manuais. E o problema não está na falta de vontade — está na falta de integração.
A proposta do ecossistema SigmaNest é conectar o que hoje está separado: ERP, CAD/CAM e nesting numa cadeia automatizada, do pedido à ordem de serviço. Quando esses sistemas conversam entre si, o tempo perdido em redigitação, erro de comunicação e retrabalho simplesmente desaparece.
Seu recado para jovens que estão entrando: tecnologia e software não são acessórios. São o núcleo. E mesmo com IA avançando, os profissionais que entendem e operam esse ecossistema continuam sendo insubstituíveis.
Fábio Ricardo — Therion
5 eixos sem medo — não tem mistério, tem jornada
Fábio Ricardo acompanhou o desenvolvimento da usinagem em 5 eixos desde os primórdios da tecnologia. Formado pelo SENAI, com 30 anos como especialista técnico num grande fabricante de ferramentas de corte, fundou a Therion há 35 anos — empresa focada em mentoria e treinamento em tecnologia de usinagem.
Sua mensagem foi direta: 5 eixos não tem mistério. Tem jornada. Quem acompanhou a evolução da tecnologia no ritmo certo chega lá sem trauma. Quem tenta pular etapas, tropeça.
A base sólida em 3 eixos não é um desvio — é o caminho mais rápido para o 5.
Ângelo — VeriCut / Vericante (Brasil e América do Sul)
A diferença que muda tudo — e que quase ninguém explica
A simulação do CAM e a simulação do VeriCut não são a mesma coisa.
O Mastercam simula o caminho da ferramenta que você criou no software. O VeriCut simula o código G que foi gerado pelo pós-processador — o arquivo que vai de fato para a máquina. São etapas diferentes. E é na segunda que as colisões reais acontecem.
Uma colisão não é algo que pode acontecer. Ela vai acontecer — se você não tiver a ferramenta certa.
A integração entre Mastercam e VeriCut elimina o tempo morto: com um clique, o projeto vai do CAM para análise — invasão, colisão, esforço de ferramenta, deflexão. Enquanto o VeriCut processa, o programador continua trabalhando no Mastercam.
Charles Silva — RegoFix (Brasil e América Latina)
A peça que todo mundo ignora — e que custa mais cara quando falha
Quando se fala em produtividade na usinagem, a conversa vai para máquina, ferramenta de corte, software CAM. O que raramente entra na discussão é o que conecta os três: o porta-ferramenta.
O sistema PowerGrip, da RegoFix, opera com pressão de 7 a 9 toneladas e garante batimento abaixo de 3 microns — rigidez superior ao sistema hidráulico e ao térmico. Especialmente relevante para estratégias de alta performance como o trocidal.
“Quando você fala de usinagem de alta performance, tem que ter uma fixação nesse nível. Não adianta ter a estratégia CAM certa com a fixação errada.”
Luan Saldanha — Aditiva Brasil
Manufatura aditiva e usinagem: coexistência, não concorrência
A impressão 3D industrial não é apertar um botão. Existe uma jornada técnica por trás — modelagem, definição de características, parâmetros de processo, pós-processamento. O hype vem de quem pula essa jornada sem entender o que está fazendo.
Na manufatura aditiva metálica, o processo híbrido é comum: a peça é fabricada na impressora e depois precisa da usinagem para acabamento ou remoção de suportes.
A manufatura aditiva não vem para substituir a usinagem. Elas vão se agregar.
Para as oficinas que olham para a impressão 3D com desconfiança: não é concorrência. É uma habilidade adicional que expande o que você consegue entregar.
Rodrigo Bardalho — SENAI São Paulo
Os três pilares que separam fábricas produtivas das que ficam pra trás
Rodrigo é instrutor de tornearia CNC no SENAI e treinador de atletas para as WorldSkills — onde o Brasil historicamente disputa o pódio com China, Alemanha e outros países. Ele fechou o TECC Talks com o dado mais impactante da semana:
90% do mercado industrial brasileiro é composto por micro, pequenas e médias empresas — com produtividade em torno de 50% a 60% das grandes.
Três pilares para atacar isso: tecnologia, padronização e capacitação. Sem padrão, não há controle. Sem CNC e software, o processo depende do “dia” do operador. Sem capacitação, a máquina de 5 eixos fica sendo programada em 2.
“Não espere estar pronto para começar. Você vai iniciar da base e vai aprender. Você vai chegar lá.”
O QUE FICA DEPOIS DE 10 CONVERSAS
Dez especialistas. Dez pontos diferentes da cadeia produtiva. Uma semana inteira de conversas ao vivo no estande F018.
De automação flexível sem robô a simulação do código G, de fluido de usinagem como estratégia a 5 eixos sem medo — perspectivas diferentes, um diagnóstico em comum:
A lacuna não é de tecnologia. É de aplicação. O Brasil tem acesso às mesmas ferramentas que a Alemanha e o Japão. O que falta é o ecossistema completo funcionando junto.
Máquina certa, com software certo, operada por quem foi capacitado para isso, com processos padronizados em volta — e a máquina usinando mais tempo do que ficando parada
É exatamente isso que a TECC quer te ajudar a construir. Se você quer entender como o Mastercam e o CAM Assist se encaixam no seu processo, é para isso que a gente existe.
Quer ver o Mastercam funcionando na sua peça?
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Escrito a partir das conversas do TECC Talks — FEIMEC 2026 — Estande F018 — São Paulo Expo, maio de 2026.
POV da Indústria Inteligente é uma publicação da TECC Desenvolvimento e Soluções Tecnológicas. Distribuidor oficial Mastercam no Brasil.
